Portal do IPCO
Plinio Corrêa de Oliveira
IPCO em Ação

Acesse sua conta

Logo do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira
Instituto

Plinio Corrêa de Oliveira

A Reconquista do Brasil: Insurreição Pernambucana derrota o poderio holandês (IV)

Foto: Marcos Machado
Por Marcos Machado

há 6 meses7 min

Atualizado em: 12/16/2022, 10:16:18 PM


Os brasileiros sempre souberam lutar pela soberania nacional.

Continuando os Posts sobre a Reconquista de Pernambuco, veremos hoje a batalha final, dos Montes Guararapes, onde os holandeses sofreram uma derrota irreparável. O general holandês Sigismundo Van Schkoppe aconselhou à Companhia das índias Ocidentais a desistir do propósito de dominar o Brasil, pois que em dez meses haviam perdido 5 mil pessoas, em apenas duas bata­lhas.

Holanda envia reforços

Como vimos, em 1630, foi enviado um exército holandês contra a pequenina Olinda. A Holanda era uma potência marítima no século XVII. Sua fracassada tentativa de se apossar da Bahia levou-a a armar uma poderosa esquadra que desponta em Olinda, em 1630: 70 navios, 3500 soldados, 1200 canhões, 3780 marinheiros.

Diante de atrocidades, canibalismos, sacrilégios, persequição religiosa perpetrados pelos hereges holandeses contra a população católica, declara-se a Insurreição Pernambucana, festa Santo Antonio, 13 de junho de 1645. Os episódios subsequentes podem ser vistos em https://ipco.org.br/a-reconquista-do-brasil-nossa-vitoria-no-monte-das-tabocas-iii/. A primeira grande derrota militar dos holandeses deu-se no Monte das Tabocas, em fins de 1645.

***

Uma poderosa esquadra aporta em Recife

Em dezembro de 1647, a Compa­nhia das Índias Ocidentais enviou ao Brasil uma poderosa esquadra composta de 60 navios, nos quais vinham 9 mil ho­mens, aportando em Re­cife a 14 de março de 1648.

Bandeiras tremulando, aproxima­ram-se aquelas naus do porto de Re­cife, disparando as suas peças de ar­tilharia. Os holandeses que estavam em terra responderam com três sal­vas.

Julgavam os holandeses que com aquele reforço, esma­gariam definitivamente o exército de João Fernandes Vieira, o “governador da liberdade”. Os nossos solda­dos, apesar de disporem então de poucos recursos e de não haverem recebido os reforços prometidos pelo governador do Brasil, sediado na Bahia, Antônio Teles da Silva, prepararam-se com ardor para mais esta gloriosa batalha em defesa da Fé católica, de sua Pátria e de seu Rei.

Por determinação dos Mestres de Campo, todos os nossos guerreiros reuniram-se no Arraial do Bom Jesus. Eram ao todo 3.550 homens, dos quais 1.800 constituíam o terço de Fernandes Vieira e 750, o terço de André Vidal de Negreiros. Os restantes eram 300 pretos comandados por Henrique Dias, 350 índios de Felipe Camarão e 350 brancos encarregados da defesa da fortaleza de Nazaré.

Brancos, negros e índios haviam forjado a têmpera do brasileiro e afirmado a nossa nacionalidade. Nasceu ai o exército nacional.

A preparação da batalha

O exército holandês, sob o coman­do do general Sigismundo, saiu de Recife no dia 17 de abril de 1648. Compunha-se de 7.400 soldados. Seis co­ronéis o serviam: Hendrick Van Haus, Van Elts, Hautyn, Pedro Keerweez, Van den Brande e Brinck. O inimigo mar­chou em direção à fortaleza dos Afo­gados e dali caminhou até o posto da Barreta, onde se deteve. Os nos­sos Mestres de Campo — João Fernandes Vieira, André Vidal de Negreiros — decidiram ir ao encontro dos invasores com 2.200 ho­mens, deixando os restantes para guarnecer o Arraial do Bom Jesus e outros pontos estratégicos.

Narra Diogo Lopes de Santiago a estratégia do “governador da liberdade” que mandou 20 homens de confiança com 40 índios de Felipe Camarão para atraírem o inimigo até aqueles montes Guararapes. Assim fizeram eles com grande êxito, dispa­rando contra o inimigo e recuando em perfeita ordem.

Contra a artilharia inimiga opunham seus peitos varonis

Adiantaram-se logo os holandeses até os montes, ocupando a campina e a planície próximas do boqueirão que havia junto a eles. Ocuparam também o alto dos montes. Traziam 61 bandeiras e o estandarte com as armas das Províncias Unidas e Esta­dos Gerais, cinco peças de artilharia, muita munição e viveres. Nossos sol­dados dispunham de bem poucos re­cursos. “Não traziam artilharia ne­nhuma. porque contra a do inimigo opunham seus varonis e robustos pei­tos e animosos corações (…). Não levavam bandeiras, mas uma firme confiança de lhas ganharem e conculcarem apesar da soberba dos holandeses, e com elas levantar os troféus de suas insignes e célebres vitórias com tan­tos aplausos solenizadas e em lugar delas levavam seus rosários de con­tas pendurados do colo, que eram as bandeiras da Virgem Senhora Nossa, em quem confiados arrebata­vam as do inimigo” (Diogo Lopes de Santiago, op. cit., livro IV, cap. VI).

A primeira batalha de Guararapes

João Fernandes Vieira e Vidal de Ne­greiros — porque tinham pouca munição — foram de opinião que se de­via dar logo a primeira carga de artilharia e avançar à espada contra o inimigo.

Negros, índios e brancos se unem na Fé e Patriotismo para libertarem o Brasil, 1648

Do lado direito Negreiros com os seus, seguido por Camarão e seus índios. Pelo lado esquerdo adiantou-se “o governador da liberdade”, procurando atingir o alto dos montes, seguido por Henri­que Dias com seus pretos. Os ho­landeses dispararam duas fortíssimas cargas de artilharia. Os nossos con­tinuaram em direção a eles, apesar dos disparos. A nos­sa infantaria disparou a um só tem­po contra o inimigo, enquanto os dois destemidos mestres de campo, de es­pada na mão, investiam contra os hereges batavos.

Tocados por tão admirável exemplo de bravura, capi­tães e soldados imitaram seus coman­dantes, avançando com destemor e matando por toda parte, no espaço de meia hora. Desceram os holande­ses, em confusão, do alto daqueles montes, seguidos pelos nossos valen­tes guerreiros, que como novos e va­lorosos cruzados “cortavam pernas, braços, cabeças, uns matando, outros ferindo encarniçadamente”, esquecen­do-se de si próprios e considerando grande glória o arriscar a própria vida por tão nobre causa.

Chega novo reforço holandês

Desespera­dos, os holandeses foram se metendo pela região alagadiça, ao sopé dos montes. Os nossos soldados segui­ram-nos. matando a muitos. Já con­sideravam ganha a batalha, depois de quatro horas de luta, quando sur­gem as 14 bandeiras do cel. Hendrick Van Haas, que vinha à frente de mil homens que haviam ficado em Reci­fe. Cansados, os nossos mal conse­guiam segurar suas armas esquenta­das pelos contínuos disparos. Fer­nandes Vieira e Negreiros adiantam- se novamente contra o inimigo. Ou­tra vez inflamados pelo heroísmo de seus comandantes, os valorosos per­nambucanos e portugueses retornam à luta, esquecidos de seu cansaço e fome. Os dois exércitos entrechocam-se violentamente na campina, ao pé dos montes.

O inimigo lutava de­sesperadamente para conquistar o bo­queirão. Depois de uma hora de en­carniçado combate, os hereges inva­sores, não suportando o ímpeto de nossos ataques, recuam um pouco. Formaram-se mais uma vez os dois esquadrões, porém o general holandês Sigismundo, à vis­ta de tantas perdas, preferiu recuar, protegido pela escuridão da noite que se aproximava.

1200 holandeses mortos

Na manhã seguinte, os nossos valentes mestres de campo foram reconhecer a região do com­bate, verificando então que o inimigo ali deixara 1.200 mortos. Dos nos­sos soldados só morreram 84. Esta grande vitória se obteve no dia 19 de abril de 1648, domingo da Páscoa e festa de Nossa Senhora dos Prazeres. No domingo seguinte, o Vigário Padre Domingos Vieira de Lima ordenou que em todas as igre­jas matrizes se expusesse o Santís­simo Sacramento, para que os fiéis lhe rendessem ações de graças pela brilhante vitória sobre os hereges.

Poucos dias após, um coronel ho­landês, que se dirigia para os mon­tes Guararapes com um bom reforço, encontrou-se com Sigismundo Van Schkoppe que regressava a Recife. Agastado ante a notícia da fragorosa derrota, perguntou-lhe o coronel por que permitira que isto acontecesse quando dispunha de tão poderoso exército. Schkoppe, igualmente irri­tado, disse-lhe que fosse antes conhe­cer o valor dos portugueses. Se qui­sesse lutar com eles não precisaria ir muito longe. Ali mesmo, perto de Recife, encontrava-se um preto cha­mado Henrique Dias, com seus sol­dados. Que fosse logo defrontar-se com ele, para ver quem era, antes de acusar o exército holandês e seu comandante de fraqueza ou omissão.

***

Veremos no próximo POST a segunda e última batalha no Monte Guararapes. Com essa derrota os holandeses perdem o ânimo. O Brasil tinha mostrado a sua fibra católica e patriótica. Nossa História nos mostra que somos invenciveis quando nos apoiamos na proteção da Providência Divina e batalhamos dentro das Leis de Deus e do Direito Natural.

Nossa Senhora Aparecida salvará o Brasil.

Detalhes do artigo

Autor

Marcos Machado

Marcos Machado

426 artigos

Pesquisador e compilador de escritos do Prof. Plinio. Percorreu mais de mil cidades brasileiras tomando contato direto com a população, nas Caravanas da TFP. Participou da recuperação da obra intelectual do fundador da TFP. Ex aluno da Escola de Minas de Ouro Preto.

Categorias

Tags

Comentários

Seja o primeiro a comentar!

Tenha certeza de nunca perder um conteúdo importante!

Artigos relacionados