Caminho sinodal - Uma caixa de Pandora
3 min — há 10 anos — Atualizado em: 9/1/2017, 9:26:17 PM
O Parlamento Europeu prossegue em sua ofensiva cristofóbica contra indivíduos, costumes, leis e países que afirmem de algum modo, ainda que incompleto, sua fidelidade ao catolicismo ou às tradições históricas cristas.
A Constituição e o governo da Hungria estão na sua mira pelo “delito” de cristianismo e tradições cristãs. Os eurodeputados aprovaram em julho um relatório condenando medidas nesse sentido do governo magiar, além de outras que a nação de Santo Estêvão está no seu direito de adotar em nome da tão propalada democracia.
O Parlamento Europeu “recomendou” à Hungria 30 iniciativas para ela se ajustar às normas comunitárias, como se aquela nação não fosse independente e soberano.
A votação se deu após tenso debate em que o primeiro-ministro Viktor Orbán comparou o órgão pan-europeu com o regime comunista que oprimiu e devastou seu país, noticiou o jornal de Madri “El País”.
“Eu sei o que significa ser um cidadão de segunda classe. […] Eu fui contra o comunismo e não quero voltar a passar por essa experiência. Não quero uma Europa onde os países ficam sob vigilância, onde há duas medidas diferentes para medir. Lutaremos contra isso” – disse corajosamente Viktor Orbán no início de um debate de mais de duas horas na sede do Parlamento Europeu em Estrasburgo.
A evidente analogia entre a União Europeia e o velho modelo ditatorial soviético foi logo percebida pelos deputados de esquerda, que quais ladrões surpreendidos com a mão no bolso de sua vítima, reagiram furiosamente.
Na polêmica, o deputado húngaro József Szájer deplorou o tempo insuficiente que lhe foi concedido, e exclamou: “Até Stalin dava mais tempo aos dissidentes”. Martin Schulz, presidente do Parlamento Europeu, cortou-lhe abrupta e “democraticamente” a palavra, gritando: “Chega!”.
O “Relatório Tavares” (obra do deputado verde Rui Tavares) critica 500 mudanças feitas na legislação húngara em pouco mais de um ano e que apagam importantes restos da ditadura soviética.
O relatório verde também se volta contra a definição de família como sendo exclusivamente a união entre um homem e uma mulher.
Tavares recomendou à União Europeia a criação de um mecanismo de controle das práticas democráticas que ele mesmo atropelou em seu relatório, a serem aplicadas sobre todos os países para evitar condutas indesejadas como a de Budapest. Precisamente o que o premier húngaro compara com o mecanismo de repressão comunista aos países escravizados.
O informe de cunho totalitário foi aprovado pelos social-democratas, os liberais, os verdes e a extrema esquerda. Foi recusado pelos “populares” e pelo grupo conservador dos eurocéticos britânicos e poloneses: 370 votos a favor, 249 contra e 82 abstenções.
O eurodeputado Guy Verhofstadt, líder liberal belga, pediu que a Hungria perdesse seu direito a voto. Mais uma fiel demonstração da continuidade dos procedimentos ditatoriais marxistas para silenciar os que discordam.