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Convite à reflexão: tática do terreno comum, pressuposto do progressismo


Prosseguimos a transcrição do capítulo A CONFIRMAÇÃO PELO NOVO TESTAMENTO do livro escrito pelo Prof. Plinio (1943) Em Defesa da Ação Católica. Lembramos, essa obra foi prefaciada pele então núncio apostólico no Brasil, D. Aloisi Masella. Os Santos Evangelhos recomendam misericórdia e justiça.

Hoje veremos a chamada “tática do terreno comum” muito usada pelos progressista, pelos ecumenistas radicais: valorizar o terreno comum e esquecer os pontos de atrito com outras religiões. Quando se trata de conservadores, da missa tridentina, da prática do rosário os mesmos progressistas do “terreno comum” se “esquecem” da caridade e nos oferecem apenas fel.

Seja o seu “sim”, sim; seu “não”, não

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A Tática do Terreno Comum

“Falamos em capítulo anterior, da famosa “tática do terreno comum”. Consiste ela em evitar constantemente qualquer tema que possa constituir motivo de desavença entre católicos e não católicos e pôr em evidência tão somente o que possa haver de comum entre uns e outros. Jamais uma separação de campos, um esclarecimento de ambiguidades, uma definição de atitudes.

Prudência não é imbecilidade

“Enquanto um indivíduo for ou se disser católico por mais que seus gestos ou palavras difiram de suas ideias, sua vida destoe de sua crença e sua própria sinceridade possa ser posta em dúvida, jamais contra ele se deverá tomar uma atitude enérgica, sob pretexto de que é preciso não “romper o arbusto partido nem extinguir a mecha que ainda fumega”. Como se deve proceder neste delicado assunto, dí-lo entretanto, e eloquentemente o texto seguinte, que prova que uma justa paciência jamais deve atingir os limites da imprudência e da imbecilidade: “Toda a árvore pois, que não dá bom fruto, será cortada e lançada no fogo. Eu na verdade, batizo-vos com água para (vos levar à) penitência, mas o que há-de vir depois de mim é mais poderoso do que eu, e eu não sou digno de lhe levar o calçado; ele vos batizará no Espírito Santo e em fogo. Ele tem a pá na sua mão, e limpará bem a sua eira, e recolherá o seu trigo no celeiro, mas queimará as palhas num fogo inextinguível” (S. Mateus, III, 10 a 12).

É errado ocultar sempre os motivos de desacordo

“Quanto a ocultar os motivos de desacordo que nos separam daqueles que são apenas imperfeitamente nossos, o Divino Mestre não procedeu assim nas numerosas circunstâncias que abaixo examinaremos: Os fariseus levavam uma vida de piedade, ao menos na aparência, e Nosso Senhor, longe de ocultar o quanto esta aparência era insuficiente de receio de os irritar e de os distanciar ainda mais de si, investiu claramente contra eles, dizendo-lhes: “Nem todo o que me diz: “Senhor, Senhor” entrará no reino dos céus; mas o que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus, esse entrará no reino dos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome, e em teu nome expelimos os demônios, e em teu nome fizemos muitos milagres? E então eu lhes direi bem alto: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que obrais a iniquidade” (S. Mateus, VII, 21 a 23).

O exemplo do Divino Mestre

“Poderia irritar esta linguagem? Poderia ela suscitar contra o Salvador o ódio dos fariseus, em lugar de os converter? Pouco importa. As acomodações fáceis se bem que ilusórias, não podiam ser praticadas pelo Mestre, que preferiu para si, e para seus discípulos de todos os séculos, a luta declarada: “Não julgueis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas a espada. Porque vim separar o filho do seu pai, e a filha de sua mãe, e a nora da sua sogra. E os inimigos do homem (serão) os seus próprios domésticos. O que ama o pai ou a mãe mais do que a mim, não é digno de mim; e o que ama o filho ou a filha mais do que a mim, não é digno de mim. E o que não toma a sua cruz e (não) me segue, não é digno de mim. O que se prende à sua vida, perdê-la-á; e o que perder a sua vida por meu amor, achá-la-á (S. Mateus, X, 32 a 39). Como muita gente de nossos dias, com a qual espíritos acomodatícios e pacifistas preferem contemporizar perpetuamente, também os fariseus tinham “algo de bom”.

A árvore boa dá bom fruto

“Entretanto, não foram eles tratados segundo as agradáveis práticas da tática do terreno comum. Numa lógica impecável os fustigou o Mestre com as seguintes palavras: “Ou dizei que a árvore é boa e o seu fruto bom; ou dizei que a árvore é má, e o seu fruto mau; pois que pelo fruto se conhece a árvore. Raça de víboras, como podeis dizer coisas boas, vós, que sois maus? Porque a boca fala da abundância do coração. O homem bom tira boas coisas do bom tesouro (do seu coração); e o mau homem tira más coisas do mau tesouro” (S. Mateus, XII, 33 e 35). E quando a experiência demonstrou que os fariseus rejeitaram a imensa e adorável graça contida nas palavras fulminantes do Salvador, e ainda mais se revoltaram contra este, o Mestre nem por isto mudou de tática: “Então, aproximando-se dele os seus discípulos, disseram-lhe: – Sabes que os fariseus, ouvindo estas palavras, se escandalizaram? Mas ele, respondendo, disse: Toda a planta que meu Pai celestial não plantou, será arrancada pela raiz. Deixai-os; são cegos, e guias de cegos; e, se um cego guia outro cego, ambos caem na fossa. E Pedro, tomando a palavra, disse-lhe: Explica-nos essa parábola. E Jesus respondeu: Também vós estais ainda sem inteligência?” (S. Mateus, XV, 12 a 16).

O receio de desgostar não pode ser a única regra de apostolado

Com isto demonstrou Ele que o receio de desgostar e de revoltar os faltosos contra a Igreja, não pode ser o único móvel de nossos processos de apostolado. E, no entanto, quantos são hoje em dia, os que estão como São Pedro e os apóstolos, “sem inteligência”, e não entendem a admirável lição de energia e de combatividade que o Mestre Divino nos deu!”

***

Convite à reflexão, sejamos como o Divino Mestre que nos ensinou a misericórdia e a justiça; a mansidão e a repreensão, cada uma em sua hora adequada.

Fonte: https://www.pliniocorreadeoliveira.info/EmDefesadaA%C3%A7%C3%A3oCat%C3%B3lica_R_04_2011.pdf (pg 141 e ss)

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Machado Costa

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