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Do genocídio vendeano ao terrorismo islâmico

Ataques Terroristas: Afronta à Civilização Cristã - O general responde com pesar e resolução ao atentado em Nice, sublinhando a ameaça que o islamismo representa para a civilização cristã.


Do genocídio vendeano ao terrorismo islâmico

A Batalha de Le Mans – Jean Sorieul, 1852. Museu da Rainha Bérengère, Le Mans (França)

Índice

  1. General Pierre de Villiers, digno filho da Vendéia

Por: Afonso de Souza
Fonte: Revista Catolicismo, Nº 874, Outubro/2023

Um historiador que queira ser honesto consigo mesmo, deve analisar a História não procurando ser “politicamente correto”, mas simplesmente objetivo. Isso pode levá-lo a ir na contramão da opinião corrente.

Professor francês Reynald SecherProfessor francês Reynald Secher

Foi o que sucedeu com o professor francês Reynald Secher [foto] quando resolveu escrever sobre o levante da Vendéia, ocorrido durante a diabólica Revolução Francesa, mostrando que houve então um verdadeiro genocídio dos chouans.

Ele poderia citar nesse sentido as próprias palavras dos representantes do governo revolucionário em missão junto ao general Haxo, em dezembro de 1793:

A Vendéia deve ser pulverizada, porque ousa duvidar dos benefícios da liberdade. Quer dizer, ‘pulverizada’; ou seja, não só matar, mas também reduzir a pó.
Revolucionários franceses [1]

O Prof. Secher possui vários títulos que lhe conferem autoridade para tratar do assunto. Nascido em Nantes em 1955, graduou-se em 1978 em história, geografia e história da arte, obtendo depois um diploma de estudos aprofundados em ciências históricas, políticas e direito pela célebre Universidade Paris-Sorbonne. Em 1983 doutorou-se nessas ciências, e dois anos depois obteve um “diploma estatal” em literatura e humanidades na mesma Universidade. Sua tese de doutoramento tinha o atraente título: “Contribuição ao estudo do genocídio franco-francês: a Vendéia vingada”.

Ora, o governo francês sempre procurou ocultar, como tema-tabu, o que verdadeiramente se passou naquela região da França durante a Revolução Francesa, quando nobres e camponeses se levantaram em defesa do altar e do trono.

Por isso a tese do Prof. Secher “causou muita discussão, porque pela primeira vez um historiador afirmou ter demonstrado cientificamente que após a Primeira Guerra da Vendéia (de 1793 a 1794) um genocídio foi realizado pelas tropas regulares da república francesa” contra o povo daquela região. Ele “recebeu muitas críticas, pois dissipou o mito da Revolução Francesa e, consequentemente, negou parte da história da França”.

Qual foi o preço dessa temeridade para o historiador? “Secher foi expulso da universidade e impedido de lecionar em público”. [2]

Isso abalaria qualquer um com menos estofo que esse historiador. “No entanto, [Secher] continuou a lidar com as Guerras da Vendéia. E, em 1991, publicou outro livro que reabriu a polêmica, Juifs et Vendéens, d’un génocide à l’autre, no qual compara o genocídio vendeano com o holocausto, destacando as características comuns e as diferenças”. Nesse livro, o autor “argumenta que o governo francês da época conseguiu manipular aqueles acontecimentos para justificar o ocorrido e, por esse motivo e como prova disso, durante duzentos anos nunca se falou em genocídio”.

Infelizmente não temos dados da sequência da polêmica.

Atualmente o historiador é diretor da editora Reynald Secher, Éditions, professor de Relações Internacionais e presidente da associação Mémoire du Futur de l’Europe.

General Pierre de Villiers, digno filho da Vendéia

Um dos mais ilustres filhos da Vendéia em nossos dias é o general Pierre de Villiers [foto], ex-Comandante em Chefe do Estado Maior da Defesa da França. Nascido em julho de 1956, ele é pai de seis filhos e irmão de Philippe de Villiers, conhecido político conservador católico, fundador do parque temático Puy du Fou.

General Pierre de VilliersGeneral Pierre de Villiers

Profundamente religioso, em entrevista à revista La Vie, ele afirma: “A fé católica me foi transmitida na infância […]. Este é o caminho para a verdadeira felicidade que meus pais puderam me mostrar […] a transmissão da fé l no coração de nossa casa. Meu maior orgulho hoje, minha alegria como pai, é que meus seis filhos guardaram o tesouro de sua educação cristã […]. Essa força de saber de onde venho e para onde vou é uma graça formidável porque a necessidade de enraizamento, que a globalização individualista nega pela ideologia, é profunda no homem. É a necessidade de sentido, transcendência e esperança. É por isso que venho de uma terra, a Vendéia, que carrega consigo a memória viva das guerras e que, ao mesmo tempo, clama pela necessidade de sobrepujar o ódio e a reconciliação”.

Mas ele não é “um grande espiritual nem um contemplativo: Aproximo-me de Deus através da ação, em particular relacionando-me com os outros. Com muita modéstia e coerência, procurei sempre encarnar a minha fé praticando a caridade fraterna, com especial atenção aos mais frágeis, aos feridos, aos enfermos”.

Não há maior amor do que dar a vida pelos amigos
Jo 15,13

De Villiers prossegue: “Pessoalmente, minha relação com Deus amadureceu nos teatros de guerra e no contato com a morte, os feridos e as famílias enlutadas. Do Kosovo ao Bataclan, passando pelo Afeganistão, uma palavra inspirou, apoiou, reforçou o meu compromisso: ‘Não há maior amor do que dar a vida pelos amigos’ (Jo 15,13)”. [3]

Evitando falar sobre o tema polêmico do genocídio da Vendéia, o militar afirma que o maior perigo atual da França é o islamismo, cujo “objetivo é apagar a civilização cristã e os católicos, que são os que a encarnam”.

Foto do atentado terrorista perpetrado na cidade de Nice em 2016, quando um islamita avançou com um caminhão a toda velocidade sobre a multidão na avenida ao lado da praia, matando 86 pessoas e ferindo outras 458.Foto do atentado terrorista perpetrado na cidade de Nice em 2016, quando um islamita avançou com um caminhão a toda velocidade sobre a multidão na avenida ao lado da praia, matando 86 pessoas e ferindo outras 458.

Atentados terroristas, guerra contra a nossa civilização

Em entrevista à revista Famille Chrétienne, respondendo a uma pergunta sobre o atentado de Nice em 2016 — quando um islamita avançou com um caminhão a toda velocidade sobre a multidão na avenida ao lado da praia, matando 86 pessoas e ferindo outras 458 —, o general de Villiers diz qual foi seu sentimento ao tomar conhecimento do ocorrido: “Uma imensa tristeza, e depois uma cólera fria. […] Como todos os franceses, fui atingido no coração. É um ato de guerra que visa a própria existência de nossa nação e de nossa civilização cristã. Depois desse ato odiento, eu quero dizer: isso basta! É necessário retomar a ação e parar de suportar”. Ele sentiu o mesmo com o martírio do Pe. Hamel.

Pois, para o general, “os católicos praticantes simplesmente encarnam a civilização cristã”. E “essa civilização é o objetivo preferencial dos terroristas islâmicos, que querem impor um novo modelo de sociedade baseado na sharia. Eles estão lutando contra o modelo ocidental e sua base cristã. O Estado islâmico foi derrotado, mas a ideologia islâmica ainda sonha em estabelecer califados. Repito, o objetivo deles é varrer nossa herança judaico-cristã do mapa”. [4]

* * *

Notas:

  1. Jacques Crétineau-Joly, Histoire de la Vendée militaire, in https://permanencia.org.br/drupal/node/1333#footnote52_w2umbpw.
  2. https://pt.wikipedia.org/wiki/Reynald_Secher
  3. https://www.lavie.fr/christianisme/temoignage/general-pierre-de-villiers-ma-relation-a-dieu-a-muri-sur-les-theatres-de-guerre-6079.php
  4. https://www.famillechretienne.fr/35458/article/general-pierre-de-villiers-les-islamistes-veulent-rayer-de-la-carte-notre

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