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Plinio Corrêa de Oliveira
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O Condestável, São Nuno Álvares Pereira

A vida desse santo guerreiro inspira a Europa contemporânea a resgatar suas raízes cristãs em tempos de crescente secularização e desafios religiosos.


O Condestável, São Nuno Álvares Pereira

Batalha de Aljubarrota, Condestável Nuno Álvares vence os espanhois

Compartilhamos com os leitores do IPCO um trecho de um artigo publicado por Plinio Corrêa de Oliveira no jornal "Legionário" sobre São Nuno Álvares Pereira, o Condestável de Portugal, também conhecido como Frei Nuno de Santa Maria. Neste artigo, Plinio Corrêa de Oliveira aborda a notável trajetória desse santo guerreiro que desempenhou um papel crucial na restauração de Portugal no século XIV, enfrentando ameaças de domínio espanhol e desafios religiosos. A vida e a devoção de Dom Nuno Alvares Pereira servem como exemplo de coerência e fidelidade à fé cristã em tempos de adversidade, oferecendo inspiração para a Europa atual, ex-cristã e corroída pelo gérmen da Revolução.

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Legionário, 2 de julho de 1944, N. 621, pag. 2

Plinio Corrêa de Oliveira

Notícia de Lisboa informa que grande procissão percorreu as ruas da cidade, acompanhando as relíquias do Condestável Dom Nuno Alvares Pereira, que, em religião, tomou o nome de Frei Nuno de Santa Maria. A finalidade desta procissão foi pedir a canonização do Condestável, que já tem as honras de Bem-aventurado.

Dom Nuno Alvares Pereira foi o restaurador de Portugal no século XIV, quando essa nação corria o perigo de cair sob o domínio espanhol, em consequência de grave crise dinástica. Nesta difícil conjuntura, foi Dom Nuno o braço forte, que apoiou e firmou a novel casa de Avis. Que um reino passe para uma coroa estrangeira, isto não tem grande importância, se tudo se realiza no seio da Cristandade. Nos tempos em que a ideia de Cristandade era viva, e correspondia a uma realidade palpável e fundamental, não havia os pruridos de nacionalismo extremado que faz a desgraça de nossos dias, dividindo o mundo em porções arrogantes que se entrechocam. Naqueles tempos, a expressão normal do patriotismo era a fidelidade ao príncipe legítimo. E, por isso, não era nenhuma catástrofe que uma nação recebesse o governo de uma Casa estrangeira, coisa que aconteceu frequentes vezes, sem qualquer desdouro para grandes e ilustres povos da Cristandade. Haja vista, por exemplo, a Espanha, governada pela Casa d´Áustria.

Portanto, não foi apenas para impedir que Portugal fosse governado por Castela que a Providência lhe enviou o santo Condestável. Havia questões muito mais profundas envolvidas no conflito entre Castela e as pretensões da incipiente Casa de Avis.

Em primeiro lugar, estava-se no início do grande cisma do Ocidente. Portugal havia escolhido a obediência de Urbano VI, mas a Espanha escolhera a de Clemente VII. Ora, Urbano VI era o Papa legítimo, ao passo que Clemente VII era antipapa. Portanto, se Portugal passasse para o domínio de Castela, passaria, “ipso facto”, para a obediência do antipapa. E isto é que os portugueses, que sempre se salientaram pela inquebrantável fidelidade, absolutamente não queriam. O rei de Castela, por seguir o antipapa, era para eles herege e cismático, e simplesmente não era possível que Portugal tivesse um rei herege e cismático. Este era um dos motivos da Providência a favor de Portugal; e, deste motivo, os portugueses estavam conscientes.

Mas havia ainda outro motivo, que estava apenas nos desígnios da Providência: o Portugal da Casa de Avis ia ser o grande Portugal missionário, cuja preocupação era o serviço de Deus, e cujo ideal era a dilatação dos limites da Cristandade. Era para isto, para estabelecer as bases de uma nação apostólica, para confirmar um reino cuja razão de ser era a fé, que a Providência enviou a Portugal o santo Condestável. Para uma obra santa, era também necessário um santo.

Dom Nuno Alvares Pereira sempre manifestou a sua missão predestinada. Do princípio ao fim de sua vida, sempre encontramos nele o mesmo fervor religioso, a mesma fé ardente, a mesma piedade profunda. A sua vida guerreira era o corolário de sua vida religiosa. O grande general invencível, que não conheceu derrotas, e era o terror de seus inimigos, ia buscar a sua força em Deus, em Deus punha a esperança de suas vitórias e, particularmente, apoiava-se em sua devoção filial à Nossa Senhora, a “Santa Maria” de sua grande devoção. No auge das batalhas, quando a sorte vacila, e o sucesso é incerto, Dom Nuno afasta-se do combate e, num lugar retirado, queda-se longos momentos em oração contemplativa, enquanto os seus capitães o procuravam ansiosos. Porém, quando ele volta da oração, é como um Anjo do Céu, radiante e cheio de força, que cai sobre os inimigos, fulminando-os, e decidindo a vitória em poucos instantes: o combate continuava a sua oração sobrenatural. E enquanto foi preciso lutar, ele lutou. Mas quando veio a paz, e o seu rei estava garantido, ele, que podia ter tudo, tudo abandonou, e foi ser o humilde Frei Nuno de Santa Maria. O grande guerreiro cristão orava e batalhava, porque assim o dever o exigia; agora que ele venceu todas as batalhas, ele vai apenas orar, porque já não há onde batalhar. Fosse, porém, necessário e lá estaria ele novamente no campo da honra.

Sirva o grande e santo Condestável de exemplo a todos os católicos, principalmente nestes tempos em que a diminuição humana das verdades divinas desfigurou o ideal cristão, transformando-o, não raro, em ridícula caricatura. Um santo guerreiro não é uma contradição, como o desfibramento do liberalismo religioso o quer considerar, mas é uma sublime coerência.

* * *

Em nossos dias, não é só Portugal que vacila. Toda a Europa ex-cristã está corroída pelo germen da Revolução gnóstica e igualitária. Além disso, ameaçada por hordas crescentes de muçulmanos que pretendem dominar até Roma, ou seja, destronar o Papa.

Que surjam outros Nuno Álvares Pereira a salvar Portugal, Espanha, França e toda a Europa.

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Nuno Alvares

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