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Plinio Corrêa de Oliveira
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A caravana do IPCO começou

Convite à reflexão: sucesso face à geração perversa e adúltera?


Prosseguimos a transcrição do capítulo A CONFIRMAÇÃO PELO NOVO TESTAMENTO do livro escrito pelo Prof. Plinio (1943) Em Defesa da Ação Católica. Lembramos, essa obra foi prefaciada pele então núncio apostólico no Brasil, D. Aloisi Masella. Os Santos Evangelhos recomendam misericórdia e justiça. Não se pode adotar o silêncio e ocultar sempre ao pecador seu estado de transgressão da Lei de Deus.

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Não procurar sucesso nessa geração perversa e adúltera

Hoje, procura-se medir o sucesso nas redes sociais pelo número de inscritos, de visualizações; sem dúvida é um critério de medida. Será o mais importante? Correremos atrás do sucesso midiático violando ou “esquecendo” os Mandamentos e ensinamentos da Santa Igreja?

Vejamos as lições do Santo Evangelho a esse respeito.

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Como Nosso Senhor, não recuemos diante de um aparente insucesso na prática da franqueza apostólica

Não procuremos só sucessos de momento, aplausos inconstantes das massas e até de nossos adversários, sucessos estes que são o fruto da tática do terreno comum.

Várias vezes, nos mostra Nosso Senhor que devemos desprezar a popularidade entre os maus: “Não há profeta sem honra, senão na sua pátria e na sua casa. E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles” (S. Mateus, XIII, 57 a 58).

Há pessoas que reputam o supremo triunfo de uma obra católica, não os louvores e bênçãos da Hierarquia, mas os aplausos dos adversários. Este critério é falacioso, entre mil outros motivos porque às vezes há nisto mera cilada em que caímos, e na realidade nós sacrificamos princípios por este preço: “ai de vós quando os homens vos louvarem, porque assim faziam aos falsos profetas os pais deles” (S. Lucas, VI, 28).

Essa geração perversa e adúltera

“Esta geração perversa e adúltera pede um prodígio; mas não lhe será dado outro prodígio, senão o prodígio do profeta Jonas. E, deixando-os, retirou-se” (S. Mateus, XV, 4). Nosso Senhor se retirou e nós, pelo contrário, queremos permanecer no campo estéril, desfigurando e diminuindo as verdades até arrancar aplausos. Quando estes vierem, será o sinal de que teremos passado a ser falsos profetas, em muitos casos.

Nosso Senhor tem pena, é certo, dos que não estão de tal forma empedernidos no mal que não se salvem com um milagre: “E olhando-os em roda com indignação, contristado da cegueira dos seus corações, disse ao homem: Estende a tua mão. E ele a estendeu, e foi-lhe restabelecida a mão” (S. Marcos, III, 5).

Mas muitos perecerão na sua cegueira: “E disse-lhes: A vós é concedido saber o mistério do reino de Deus porém aos que são de fora, tudo se lhes propõe em parábolas, para que, olhando, vejam e não reparem, e, ouvindo ouçam e não entendam, de sorte que não se convertam, e lhes sejam perdoados os pecados” (S. Marcos, IV, 11 a 12).

Não espanta, a vista de tanto rigor, que o “meigo Rabi da Galiléia” incutisse por vezes, até em seus íntimos, verdadeiro terror: “Mas eles não compreendiam estas palavras, e temiam interrogá-lo” (S. Marcos, IX, 31).

Lutar pela Igreja ou procurar aplausos?

Terror não muito menor causariam por certo profecias como esta, que demonstram à saciedade que ser apóstolo é viver de lutas, e não de aplausos: “Tomai, porém, cuidado convosco. Porque vos hão-de entregar nos tribunais, e sereis açoitados nas sinagogas, e sereis por minha causa, levados diante dos governadores e dos reis, para (dar) testemunho (de mim) perante eles” (S. Marcos, XIII, 9).

Por que tanto ódio contra os pregadores do Bem?

“Eu sei que sois filhos de Abraão; mas (também sei que) procurais matar-me, porque minha palavra não penetra em vós” (S. João, VIII, 37).

Em todas as épocas, haverá corações em que não penetrará a palavra da Igreja. Estes corações se encherão então de ódio, e procurarão ridicularizar, diminuir, caluniar, arrastar à apostasia ou até matar os discípulos de Nosso Senhor.

E por isso ainda, disse Nosso Senhor aos judeus:

“Mas agora procurais matar-me, a mim, que sou um homem que vos disse a verdade que ouvi de Deus; Abraão nunca fez isto. Vós fazeis as obras de vosso pai. E eles disseram-lhe: Nós não somos filhos da fornicação; temos uma pai (que é) Deus. Mas Jesus disse-lhes: Se Deus fosse vosso pai, certamente me amaríeis, porque eu sai de Deus e vim; porque não vim de mim mesmo, mas ele me enviou. Por que não conheceis vós a minha linguagem? Porque não podeis ouvir a minha palavra”. (S. João, VIII, 40 a 43).

Não espanta, pois, que seus próprios milagres despertassem ódio.

Foi o que se deu depois do estupendo milagre da ressurreição de Lazaro: “Jesus disse-lhes: Desatai-o, e deixai-o ir. Então muitos dos judeus, que tinham ido visitar Maria e Marta, e que tinham presenciado o que Jesus fizera, creram nele. Porém alguns deles foram ter com os fariseus, e disseram-lhes o que Jesus tinha feito” (S. João, XI, 44 a 46). À vista disto, como pretendem os apóstolos conservar-se sempre na estima de todos? Não percebem eles que nesta estima geral há muitas vezes um índice iniludível de que já não estão com Nosso Senhor?

Com efeito, todo o católico verdadeiro terá inimigos:

“Se o mundo vos aborrece, sabei que, primeiro do que a vós, me aborreceu a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas, porque vós não sois do mundo, antes eu vos escolhi do meio do mundo, por isso o mundo vos aborrece. Lembrai-vos daquela palavra que eu vos disse: Não é o servo maior do que o seu senhor. Se eles me perseguiram a mim, também vos hão-de perseguir a vós; se eles guardaram a minha palavra, também hão-de guardar a vossa. Mas tudo isto vos farão por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou. Se eu não tivesse vindo, e não lhes tivesse falado, não teriam culpa, mas agora não têm desculpa do seu pecado. Aquele que me aborrece, aborrece também meu Pai” (S. João, XV, 18 a 23).

É também neste sentido o seguinte texto:

“Eu disse-vos estas coisas, para que vos não escandalizeis. Lançar-vos-ão fora das sinagogas; e virá tempo em que todo o que vos matar, julgará prestar serviço a Deus” (S. João, XVI, 1 a 2).

E ainda:

“Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do mal”. (S. João, XVII, 14 a 15).

Fonte: https://www.pliniocorreadeoliveira.info/ED_0501confirmacaonovotestamento.htm

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Machado Costa

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