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Plinio Corrêa de Oliveira
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I Estação – Jesus é condenado à morte


I Estação – Jesus é condenado à morte


V. Adorámus te Christe et benedícimus tibi.
R. Quia per sanctam Crucem tuam redemísti mundum.


Conspiraram contra Vós, Senhor, os vossos inimigos. Sem grande esforço, amotinaram o populacho ingrato, que agora ferve de ódio contra Vós. O ódio. É o que de toda parte Vos circunda, Vos envolve como uma nuvem densa, se atira contra Vós como um escuro e frio vendaval. Ódio gratuito, ódio furioso, ódio implacável: ele não se sacia em Vos humilhar, em Vos saturar de opróbrios, em Vos encher de amargura; vossos inimigos Vos odeiam tanto, que já não suportam vossa presença entre os viventes, e querem a vossa morte. Querem que desapareçais para sempre, que emudeça a linguagem de vossos exemplos e a sabedoria de vossos ensinamentos.

Jesus é condenado, Roma abateu-se acorvadada diante do populacho


Querem-Vos morto, aniquilado, destruído. Só assim terão aplacado o turbilhão de ódio que em seus corações se levanta.
Séculos mesmo antes que nascêsseis, já o Profeta previa esse ódio que suscitaria a luz das verdades que anunciaríeis, o brilho divino das virtudes que teríeis: “Meu povo, que te fiz Eu, em que porventura te contristei?”
(Miq. VI, 3). E interpretando vossos sentimentos a Sagrada Liturgia exclama aos infiéis de então e de hoje: “Que mais devia Eu ter feito por ti, e não fiz? Eu te plantei como vinha escolhida e preciosa: e tu te converteste em excessiva amargura para Mim; vinagre Me deste a beber em minha sede, e transpassaste com uma lança o lado de teu Salvador”
(Improperia).


Tão forte foi o ódio que contra Vós se levantou, que a própria autoridade de Roma, que julgava o mundo inteiro, abateu-se acovardada, recuou e cedeu ante o ódio dos que sem causa alguma Vos queriam matar. A altivez romana, vitoriosa no Reno, no Danúbio, no Nilo e no Mediterrâneo, afogou-se na bacia de Pilatos.
“Christianus alter Christus”, o cristão é um outro Cristo. Se formos realmente cristãos, isto é, realmente católicos, seremos outros Cristos. E, inevitavelmente, o turbilhão de ódio que contra Vós se levantou, também contra nós há de soprar furiosamente.
E ele sopra, Senhor! Compadecei-Vos, ó meu Deus, e dai forças ao pobre menino de colégio, que sofre o ódio de seus companheiros porque professa Vosso nome e se recusa a profanar a inocência de seus lábios com palavras de impureza. O ódio, sim. Talvez não o ódio sob a forma de uma invectiva desabrida e feroz, mas sob a forma terrível do escárnio, do isolamento, do desprezo. Dai forças, ó meu Deus, ao estudante que vacila em proclamar vosso nome em plena aula à vista de um professor ímpio e de uma turma de colegas que moteja. Dai forças, ó meu Deus, à moça que deve proclamar Vosso nome, recusando-se a vestir os trajes que a moda impõe, desde que por sua extravagância ou imoralidade destoem da dignidade de uma verdadeira católica. Dai forças, ó meu Deus, ao intelectual que vê fecharem-se diante de si as portas da notoriedade e da glória, porque prega a Vossa doutrina e professa o Vosso nome. Dai forças, ó meu Deus, ao apóstolo que sofre a investida inclemente dos adversários de vossa Igreja, e a hostilidade mil vezes mais penosa de muitos que são filhos da luz, só porque não consente nas diluições, nas mutilações, nas unilateralidades com que os “prudentes” compram a tolerância do mundo para seu apostolado.
Ah, meu Deus, como são sábios vossos inimigos! Eles sentem que na linguagem desses “prudentes”, o que se diz nas entrelinhas é que Vós não odiais o mal, nem o erro, nem as trevas. E então aplaudem os prudentes, segundo a carne, como Vos aplaudiriam em Jerusalém, em lugar de Vos matar, se tivésseis dirigido aos do Sinédrio a mesma linguagem.
Senhor, dai-nos forças: não queremos nem pactuar, nem recuar, nem transigir, nem diluir, nem permitir que se desbotem em nossos lábios a divina integridade de vossa doutrina. E se um dilúvio de impopularidade sobre nós desabar, seja sempre nossa oração a da Sagrada Escritura: “Preferi ser abjeto na casa de meu Deus, a morar na intimidade dos pecadores” (Sl. LXXXIII, 11).


Pater Noster. Ave Maria. Gloria Patri.
V. Miserére nostri Dómine.

R. Miserére nostri.
V. Fidélium ánimae per misericordiam Dei requiéscant in pace.
R. Amen.

https://www.pliniocorreadeoliveira.info/1970_231%20-%20CAT%20-%20Via%20Sacra%20_%20Legion%C3%A1rio.pdf

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Nuno Alvares

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