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Plinio Corrêa de Oliveira
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II Estação – Jesus Aceita A Cruz Da Mão Dos Carrascos


II Estação – Jesus Aceita A Cruz Da Mão Dos Carrascos

Senhor, dai-nos forças: não queremos nem pactuar, nem recuar, nem transigir, nem diluir, nem permitir que se desbotem em nossos lábios a divina integridade de vossa doutrina. E se um dilúvio de impopularidade sobre nós desabar, seja sempre nossa oração a da Sagrada Escritura: “Preferi ser abjeto na casa de meu Deus, a morar na intimidade dos pecadores” (Sl. LXXXIII, 11).

II Estação – Jesus aceita a Cruz da mão dos carrascos

V. Adorámus te Christe et benedícimus tibi.

R. Quia per sanctam Crucem tuam redemísti mundum.

Mas para isto, Senhor, é preciso paciência. Paciência pela qual se deixa, de braços cruzados e coração conformado, cair o dilúvio sobre a própria cabeça. Paciência é a virtude pela qual se sofre para um bem maior. Paciência é, pois, a capacidade de sofrer para o bem. Precisa de paciência o doente que, esmagado por um mal incurável, aceita resignado a dor que ele lhe impõe.

Nosso Senhor carregando a CruzNosso Senhor carregando a Cruz

Precisa de paciência aquele que se debruça sobre as dores alheias, para as consolar como Vós consolastes, Senhor, os que Vos procuravam. Precisa de paciência quem se dedica ao apostolado com invencível caridade, atraindo amorosamente a Vós as almas que vacilam nas sendas da heresia ou no lodaçal da concupiscência. Precisa também de paciência o cruzado que toma a cruz, e vai lutar contra os inimigos da Santa Igreja. É um sofrimento tomar a iniciativa da luta, formar e manter de pé dentro de si sentimentos de pugnacidade, de energia, de combatividade, vencer o indiferentismo, a mediocridade, a preguiça, e atirar-se como um digno discípulo daquEle que é o Leão de Judá, sobre o ímpio insolente que ameaça o redil de Nosso Senhor Jesus Cristo. Oh sublime paciência dos que lutam, combatem, tomam a iniciativa, entram, falam, proclamam, aconselham, admoestam, e desafiam por si sós toda a soberba, toda a empáfia, toda a arrogância do vício insolente, do defeito elegante, do erro simpático e popular!

Vós fostes, Senhor, um modelo de paciência. Vossa paciência não consistiu, entretanto, em morrer esmagado debaixo da Cruz quando Vo-la deram. Conta uma piedosa revelação que quando recebestes das mãos dos verdugos a vossa Cruz, Vós a beijastes amorosamente, e, tomando-a sobre os ombros, com invencível energia a levastes até o alto do Gólgota.

Dai-nos, Senhor, essa capacidade de sofrer. De sofrer muito. De sofrer tudo. De sofrer heroicamente, não apenas suportando o sofrimento, mas indo ao encontro dele, procurando-o, e carregando-o até o dia em que tenhamos a coroa da vitória eterna.

Pater Noster. Ave Maria. Gloria Patri.

V. Miserére nostri Dómine. R. Miserére nostri.

V. Fidélium ánimae per misericordiam Dei requiéscant in pace. R. Amen.

III Estação – Jesus cai pela primeira vez

V. Adorámus te Christe et benedícimus tibi.

R. Quia per sanctam Crucem tuam redemísti mundum.

É fácil falar em sofrimento. O difícil é sofrer. Vós o provastes, Senhor. Como é diferente do heroísmo fátuo e artificial de tanto soldado das trevas o vosso divino heroísmo, Senhor. Vós não sorristes em face da dor. Não éreis, Senhor, dos que ensinam que se passa a vida sorrindo. Quando vossa hora chegou, tremestes, Vos perturbastes, suastes sangue diante da perspectiva do sofrimento.

Nosso Senhor carregando a CruzNosso Senhor carregando a Cruz

E neste dilúvio de apreensões, infelizmente por demais fundadas, está a consagração de vosso heroísmo. Vencestes os brados mais imperiosos, as injunções mais fortes, os pânicos mais atrozes. Tudo se dobrou ante vossa vontade humana e divina. Acima de tudo, pairou vossa determinação inflexível de fazer aquilo para que havíeis sido enviado por vosso Pai. E, quando leváveis vossa Cruz pela rua da amargura, mais uma vez as forças naturais fraquejaram. Caístes, porque não tínheis força. Caístes, mas não Vos deixastes cair senão quando de todo não era possível prosseguir no caminho. Caístes, mas não recuastes. Caístes, mas não abandonastes a Cruz. Vós a conservastes conVosco, como a expressão visível e tangível de vosso propósito de a levar ao alto do Gólgota. Oh, meu Deus, dai-nos graças para que, na luta contra o pecado, contra os infiéis, possamos quiçá cair debaixo da cruz, mas sem jamais abandonar nem o caminho do dever nem a arena do apostolado. Sem vossa graça, Senhor, nada, absolutamente nada podemos. Mas se correspondermos à vossa graça, tudo poderemos. Senhor, nós queremos corresponder à vossa graça.

Pater Noster. Ave Maria. Gloria Patri.

V. Miserére nostri Dómine. R. Miserére nostri.

V. Fidélium ánimae per misericordiam Dei requiéscant in pace. R. Amen.

* * *

Sabendo que o “Legionário”, glorioso antecessor desta folha (Catolicismo), publicara em 1943 uma Via Sacra de autoria do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, numerosos leitores tem manifestado o desejo de que reproduzíssemos em nossas colunas esse belíssimo texto, colocando-o assim ao alcance de todos. É com prazer que “Catolicismo” atende hoje a esse desejo.Rezemos com piedade e contrição a Via Sacra pedindo pela Santa Igreja.

Fonte: https://www.pliniocorreadeoliveira.info/1970_231_Via_Sacra_LEG.htm#.ZCtz6XbMJjE

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Nuno Alvares

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