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Plinio Corrêa de Oliveira
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A Imaculada Conceição na luta entre a Revolução e a Contra-Revolução


O dogma da Imaculada Conceição de Nossa Senhora foi proclamado por Pio IX com a bula Ineffabilis Deus, de 8 de dezembro de 1854. Em memória desse acontecimento, seguem alguns comentários de Plinio Corrêa de Oliveira.

Um dos fatos mais culminantes do pontificado de Pio IX [1846-1878] — depois de São Pedro, o pontificado mais longo da história — foi a definição do dogma da Imaculada Conceição, proclamando que a Virgem Maria foi concebida sem pecado original.

Desde sempre houve duas correntes ante a definição do dogma da Imaculada Conceição: uma que o defendia, e outra que o combatia. Durante o pontificado de Pio IX, combateram a Imaculada Conceição os que se moviam de acordo com os pruridos revolucionários; e se empenharam a favor d’Ela os contra-revolucionários, que pediram ao Papa a proclamação do dogma. De algum modo, a luta entre a Revolução e a Contra-Revolução estava presente na luta entre essas duas correntes.

Pio IX foi um dos Papas mais contra-revolucionários da história, o que se manifesta particularmente em duas notas contidas nessa definição: em primeiro lugar, a Virgem Santíssima tinha, em sua vida terrena, o perfeito uso da liberdade; aceitava sempre tudo que lhe indicava de ordenado a razão, iluminada pela fé, e não encontrava em si qualquer espécie de obstáculo interior à voz da razão e da fé. Ela era cheia de graça, e suas decisões se voltavam sempre para tudo o que é bom e verdadeiro. Esse privilégio de Nossa Senhora, por si só, deixa os revolucionários furiosos.

Mas havia uma razão ainda mais profunda para a Revolução odiar esse dogma. O revolucionário ama o mal, é simpatizante do mal, alegra-se quando encontra em alguém um traço de mal; ele procura o mal em tudo, age em sintonia com o que não é bom; e tem, pelo contrário, grande revolta diante de uma pessoa sem qualquer vestígio de mal. Ora, a simples ideia de um ser tão excelsamente bom e santo, desde o primeiro instante de sua concepção, causa ódio num revolucionário.

Um indivíduo afundado na impureza sente que as inclinações impuras o dominam. Naturalmente se envergonha e sente-se deprimido por estar nessa condição, e revolta-se ante a simples ideia de existir uma pessoa como Nossa Senhora, que não tinha nenhuma mácula, nenhuma inclinação para a impureza e para o mal, e era toda feita da mais transcendental pureza. O orgulho revoltoso, esmagado pela pureza imaculada da Virgem Santíssima, o conduz a um alto grau de antipatia e ódio. E a definição de tal privilégio — ausência de qualquer prurido de Revolução em Maria — provoca repulsa, dor e ódio nos revolucionários.

Podemos assim compreender que no século XIX, época em que a Revolução já espalhara labaredas por todo o mundo, houvesse pessoas indignadas com a definição do dogma proclamado pelo Bem-aventurado Pio IX.

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 15 de junho de 1973. Esta transcrição não passou pela revisão do autor.

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Revista Catolicismo

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